As bases biológicas para a consciência

Uma daquelas perguntas que sempre inquietou a humanidade permanece sem uma resposta definitiva: como a arquitetura cerebral “produz” a consciência, ou para falar de uma forma mais “crua”:

Como os pensamentos, experiências, razão, etc… emergem da matéria, da carne, que compõe os miolos.

O psicólogo, neurocientista e professor norte americano Michael Gazzaniga aborda esse espinhoso tema no livro The Consciousness Instinc: unraveling the mystery of how the brain makes the mind. (O instinto da consciência: Desvendando o mistério de como o cérebro cria a mente) publicado este ano ainda sem tradução para o português.

Gazzaniga define a consciência como “o sentimento subjetivo de um número de instintos e / ou memórias que estão agindo em um determinado tempo em um organismo”.

Segundo essa definição é possível concluir que a consciência não esta necessariamente ligada ao corpo.

Um exemplo desse distanciamento ocorre nos pacientes que sofrem de  Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) como o recém falecido Stephen Hawking que mesmo com serias limitações nas funções cerebrais conseguiu continuar desenvolvendo sua consciência para limites antes inimagináveis.

Por outro lado, pessoas que sofrem de sonambulismo passam por períodos de grande atividade mental e corporal e encontram-se com a consciência “em outro mundo”.

Esses casos adicionam pitadas de complexidade a tese proposta. Por outro lado, não é possível desvincular certos comportamentos humanos de partes definidas do cérebro. Pesquisas cientificas comprovam que quando os hemisférios cerebrais são divididos, por exemplo,  apenas um produz a habilidade da linguagem, usualmente o esquerdo.

Para apresentar como a sua teoria de como se forma a consciência baseada na arquitetura do cérebro Gazzaniga apresenta uma metáfora: o cérebro aparece como uma multiplicidade de módulos, cada um especializado em uma única tarefa, como reconhecimento do rosto que sua companheira faz quando você sabe que ela o desaprova, ou quando o seu filho parece feliz.

Os produtos finais desses módulos específicos “sobem” ao córtex e “explodem como bolhas no poço d’água” para usar as palavras do autor.

Como se nos passássemos por uma sucessão de quadros de um filme, uma a um, e essa sucessão rápida e continua, em fluxo constante, formassem a nossa consciência. Uma tese ousada e sem dúvida, muito interessante.

As teorias apresentadas nesse livro, somadas a notoriedade do neurocientista, apontam para novos experimentos no ramo da neurociência, psicologia e psiquiatria, como também podem abrir um novo universo de explicações e, por que não, dúvidas sobre como a mente emerge da carne.

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