Ciclos de ansiedade numa crise de pânico: algumas dicas.

 

O grande dia de Clarisse se aproxima. Depois de anos de estudo, investimento de tempo e de dinheiro, ela esta pronta para a prova que definirá o seu destino: o vestibular de direito da UnB.

 

A iminência da prova tira seu sono. Ela também não consegue se alimentar bem porque sente “como se tivesse uma bola presa na minha garganta, um bolo estranho que não deixa a comida passar”.

 

Apesar de saber que precisa se concentrar nos estudos, Clarisse não se concentra e gasta horas em bate papos no celular, fuçando as páginas de seus amigos nas redes sociais ou assistindo as novas temporadas de suas séries favoritas.

 

Finalmente chega o dia de Clarisse. Durante o percurso até o local da prova, em uma fração de segundos, ela não consegue lembrar onde está. É como um branco na mente: “Onde estou mesmo?” pensa Clarisse. Sua mente está falhando, resultado do cansaço e tensão acumulados durante os meses que antecederam as provas.

 

Logo em seguida, ela sente um frio na barriga, seu coração acelera, o bolo na garganta parece crescer. Sua visão fica turva e ela fica pálida e um pouco enjoada.

Todas essas sensações causam muito medo em Clarisse. Ela não sabe o que fazer e se desespera atormentada com pensamentos de doença e morte.

Ela chora toda a angústia acumulada. Os seus pensamentos não param, são vários pensamentos, todos de uma vez.

Nesse momento ela sente que perdeu o controle sob si mesma, pensa que vai ficar louca. O  choro que era contido agora se transforma num soluçar desesperador.

O que está acontecendo com Clarisse é uma das formas mais intensas de apresentação de ansiedade: o ataque de pânico. Segundo pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América pelo National Comorbidity Survey(NCS) a prevalência de ataques de pânico é mais comum do que podemos imaginar.

A prevalência da Síndrome do Pânico, contudo, é menos frequente, cerca de até 5% da população que já sofreu pelo menos um episódio de ataque de pânico na vida.

É possível identificar quando o ataque de pânico está começando? É possível parar ele sem medicamentos? E como agir caso alguém próximo a você entre em pânico?

Os ciclos da ansiedade rumo ao ataque de pânico

 

O ataque de pânico não surge de uma hora para outra. Ele dá sinais claros que podem ser percebidos por pessoas que prestam atenção em seus sentimentos e reações. Geralmente, compreende um ciclo de 4 fases que inicia na perplexidade e termina na fadiga.

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No início do ciclo, a pessoa sente que algo não vai bem, um estranhamento fugaz, quase uma intuição de que algo está errado e que um mal irá acontecer.

 

Depois disso, inicia-se uma segunda fase do ataque de pânico: a fase do susto. O susto pode ser percebido como um frio na barriga, uma pontada no peito ou na cabeça ou “bola” na garganta, como a que impedia Clarisse de se alimentar.

 

Algumas pessoas relatam também taquicardia, falta de ar e suor excessivo. A segunda fase dispara uma sensação de desconhecido, de insegurança súbita que desencadeia o reflexo de luta e fuga, a terceira fase.

 

No auge do ataque de pânico está em ação o reflexo de luta ou fuga que é incontrolável. “É como encostar a mão em uma panela quente. Nosso cérebro imediatamente envia um estímulo para retiramos a mão do quente. É praticamente impossível controlar. Para controlar esse reflexo, pouquíssimas pessoas conseguem, é preciso treinamento monástico e muitas queimaduras”. Conclui Dr. Lucas Benevides médico psiquiatra.

 

Nesse momento a pessoa fica fora de controle. A fase de luta e fuga atinge o pico em até 20 minutos e dura, no máximo, até duas horas. A boa notícia é que ela acaba sozinha. Mesmo que não se faça nada. O corpo não consegue se manter tanto tempo em um nível tão intenso de estresse. Durante essa fase é comum ouvir relatos de que as pessoas sentem que estão enlouquecendo ou que vão morrer. É um momento de crise e desespero que gera muito sofrimento, dúvidas e angústias.

 

Então, chega-se a última fase: a fadiga. Consequência do excesso de energia despendida pelo corpo. A pessoa se sente extremamente fadigada, sem energia, desanimada, sem forças. o corpo então encaminha para o sono.

 

Como manejar as fases da crise de pânico

 

Durante a primeira e a segunda fase do ciclo de ataque de pânico, é possível parar a sequência sem uso de medicamentos.  O treinamento e o uso das técnicas mentais objetivam a construção de um mindset, ou seja, um modelo mental para essas situações. Algumas pessoas meditam, outras rezam e há ainda outras que se exercitam intensamente. Todas essas estratégias são eficientes quando o objetivo é interromper o crescente do ciclo.

 

Já na fase de reflexo, praticamente se tem duas opções: suportar a crise até atingir o último estágio ou usar medicações adequadas para encurtar a duração do ciclo. “Algumas pessoas aprendem a respirar com a boca e o nariz dentro de um saco de papel. Essa técnica tem como objetivo o aumento da concentração de CO2 no sangue o que provavelmente faz com que as substâncias liberadas pelo reflexo sejam consumidas mais rapidamente”, Afirma Benevides.

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Após a fase do reflexo de luta e fuga é extremamente importante descansar para reabilitar o corpo e a mente. Esse descanso pode ser alcançado com um período de sono regenerativo ou relaxamento intenso. Massagem ou um tempo em uma banheira de água morna ajudam na recuperação. “Não respeitar o descanso pode facilitar o início de um novo ciclo de crise de ansiedade”.

 

Como ajudar alguém em um ataque de pânico?

 

Caso você esteja acompanhando alguém que sofra uma crise de pânico é importante saber que a crise inicia-se num crescente que depois de alguns minutos termina. Não se desespere, apoie essa pessoa e a avise que “vai passar”. Caso o ataque chegue no ápice e você se sinta incapacitado leve-a numa urgência médica para um atendimento profissional.

 

Caso os ataques se tornem repetitivos ou frequentes é preciso procurar ajuda profissional qualificada, pois podemos estar diante de um caso de Síndrome do Pânico, também conhecido como Transtorno de Ansiedade Paroxística.

As pessoas que sofrem desse transtorno psíquico usualmente frequentam por repetidas vezes pronto-atendimentos médicos a procura de socorro para uma sensação de morte por uma causa orgânica, como derrame cerebral, ataque cardíaco ou câncer, até a descoberta do diagnóstico psiquiátrico de um tipo de Transtorno de Ansiedade.

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