Pensar em suicídio

O suicídio é um tabu, ou seja, um assunto que não é fácil de conversar. Um tema que nos deixa desconfortável. Mesmo entre profissionais de saúde é uma questão espinhosa.

As pessoas tendem a pensar que refletir sobre o suicídio pode incentiva-lo. Como se faltassem dois dedinhos e uma conversa para deixar a situação ainda mais complicada. Mas lembremos que o silêncio é o maior inimigo.

Condições mentais patológicas, como depressãoe dependência químicasão conhecidas associações com o suicídio, porem, qualquer condição médica pode aumentar o risco. 10% dos indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia, por exemplo, morrem decorrente de autoextermínio. Os transtornos mentais são um pano de fundo da fatalidade por serem frequentes em cerca de 90 % das vítimas de suicídio. Por outro lado, 80 % desses indivíduos que vão a óbito não estavam frequentando atendimento psiquiátrico.

Em algumas desordens psiquiátricas de comportamento, os pensamentos e atos de auto injúria são sinais característicos e frequentes.  Jovens e adultos, em uso nocivo ou compulsivo de substancias psicoativas, podem realizar uma conduta autodestrutiva. Essas condutas podem até não aparentar um comportamento suicida, mas são.

As pessoas se sentem desconfortáveis ao falar sobre a morte, seja onde for. O assunto está no contexto do sombrio, do triste e do não desejado. Portanto, a abordagem a esse tabu necessita de um cuidado especial.

Quando você for falar com pessoas com tendência ou iminência ao suicídio não faça muito barulho ou movimentos bruscos. Esteja preparado e aberto para o que vier. Não julgue, seja gentil, assertivo e não fique sem saída, sempre há uma saída.

Esse é o motivo principal para o tabu da morte de si ou de outro: achar que não tem saída. Tem saída até para morte! O sentimento suicida, na maioria das vezes, não inicia com o aniquilamento. A essa linguagem emocional extremada antecedem outras, de rica semântica de pensamentos, traduzidos em uma urgência de transformação.

Esse imperativo de mudança, expressa-se em pensamentos passivos como a vontade de sumir, de abandonar uma vida maluca e sem sentido, de seguir para algum lugar onde todos não me conheçam, ou ainda, de dormir e não querer acordar.

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Os pensamentos ativos de auto injúria ou autoextermínio surgem como uma tentativa desesperada. Como uma tripulação inaudível que apela ao capitão para corrigir a direção da proa com sacrifícios. Quanto maior o repertório linguístico, menor o risco dessa mudança de destino terminar em um naufrágio.

Infelizmente nem todos tem recursos para refletir sobre os pensamentos mórbidos. Esses correm o risco de chegarem ao ponto de se machucar ou mesmo de se matar.

É parte de meu trabalho identificar quem está nesse ponto culminante. Considero prudente que todos tenham a oportunidade de refletir sobre os seus sonhos e os rumos de sua própria vida. E que saibam que pensar em morrer ou simplesmente sumir é uma maneira que a mente encontra para dizer que precisamos mudar de caminho, sair desse caminho que não está bom para um caminho melhor. Seguramente morrer não é a única maneira de sair dessa para melhor.

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