Pausa também é música: a importância das pausas para o aprendizado.

Você precisa estudar para uma prova importante ou aprender algo novo? Acredito que você já tenha percebido que descansar é essencial para consolidar o aprendizado.

O que as novas pesquisas vêm apresentando recentemente é como devem ser as pausas.

Elas trazem novidades sobre o momento em que o cérebro realmente consolida o aprendizado. Essas descobertas prometem alterar a forma como organizamos o nosso tempo de estudo.

Raras, raríssimas pessoas conseguem aprender quando estão cansadas e com sono.

Eu, particularmente, não conheço pessoas que conseguem estudar durante muito tempo, sem pausas, e alcançaram resultados positivos. Por isso o título desse post: silêncio também é música. Ou, em outras palavras, repouso também é aprendizado.

Pesquisadores de todas as partes do mundo vem dedicando recursos e tempo para encontrar qual a melhor forma de consolidar conhecimento, ou, como o cérebro aprende.

É sobre essas descobertas que vamos tratar nesse post.

Mas, antes de ler sobre as pesquisas responda: O que VOCÊ acha que melhora sua capacidade de aprendizado depois de um dia inteiro de estudos: uma boa e prolongada noite de sono ou cochilos curtos e frequentes durante o dia?

O que dizem as pesquisas:

Em um estudo com voluntários saudáveis, os pesquisadores do National Institutes of Healthdescobriram que nossos cérebros podem solidificar as memórias de novas habilidades que acabamos de praticar alguns segundos antes, se fizermos um  breve descanso.

Esses resultados comprovam o papel criticamente importante que a pausa pode desempenhar na aprendizagem.

“Todo mundo acha que você precisa praticar, praticar, praticar quando aprende algo novo. Em vez disso, descobrimos que descansar, cedo e com frequência, pode ser tão crítico para a aprendizagem quanto a prática”, afirmou Leonardo G. Cohen, MD, Ph.D., pesquisador sênior do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames do NIH e autor sênior do artigo publicado recentemente na revista Current Biology.

Segundo Dr. Cohen: “Nossa maior esperança é que os resultados de nossos experimentos ajudem os pacientes a se recuperarem dos efeitos paralisantes causados ​​por “derrames” e outros danos neurológicos, informando as estratégias que eles usam para ‘reaprender’ as habilidades perdidas”.

Repetição, aprendizado e pausas

O estudo foi conduzido por Marlene Bönstrup, M.D., uma pós-doutora no laboratório do Dr. Cohen. Ela acreditava que nosso cérebro precisava de longos períodos de descanso, como uma boa noite de sono, para fortalecer as memórias formadas enquanto praticava uma habilidade recém aprendida. Depois de observar as ondas cerebrais registradas em voluntários saudáveis ​​em experiências de aprendizado e memória no NIH Clinical Center, ela começou a questionar a ideia.

As ondas cerebrais registradas por Marlene foram as de voluntários destros com uma técnica de varredura altamente sensível chamada magnetoencefalografia.

O experimento ocorreu assim: Os sujeitos sentaram-se em uma cadeira de frente para uma tela de computador e sob uma longa tampa de varredura do cérebro em forma de cone. O experimento começou quando eles viram uma série de números em uma tela e pediram para digitar os números tantas vezes quanto possível com as mãos esquerdas por 10 segundos; faziam uma pausa de 10 segundos; e depois repetiam este ciclo de testes de prática alternada, com a pausa, por 35 vezes.

Essa estratégia é normalmente usada para reduzir quaisquer complicações que possam surgir da fadiga ou de outros fatores.

Como esperado, a velocidade dos voluntários que digitaram corretamente os números melhorou dramaticamente durante os primeiros testes e, em seguida, nivelaram-se em torno do 11º ciclo. Quando a Dra. Bönstrup olhou para as ondas cerebrais dos voluntários, ela observou algo interessante.

“Percebi que as ondas cerebrais dos participantes pareciam mudar muito mais durante os períodos de descanso do que durante as sessões de digitação”, afirmou a Dra. Bönstrup. “Isso me deu a ideia de olhar muito mais de perto quando a aprendizagem estava realmente acontecendo. Era durante a prática ou descanso?

Ao analisar novamente os dados, ela e seus colegas fizeram duas descobertas importantes.

Primeiro, eles descobriram que o desempenho dos voluntários melhorou principalmente durante os curtos períodos de descanso, e não durante a digitação.

As melhorias feitas durante os períodos de descanso somaram-se aos ganhos gerais que os voluntários fizeram naquele dia. Além disso, esses ganhos foram muito maiores do que os vistos depois que os voluntários voltaram no dia seguinte para tentar novamente, sugerindo que as primeiras quebras ocorreram como um papel crítico no aprendizado da própria prática.

Segundo, observando as ondas cerebrais, a Dra. Bönstrup encontrou padrões de atividade que sugeriam que os cérebros dos voluntários estavam consolidando, ou solidificando, memórias durante os períodos de descanso. Especificamente, eles descobriram que as mudanças no tamanho das ondas cerebrais, chamadas de beta-ritmos, estavam correlacionadas com as melhorias que os voluntários fizeram durante os descansos.

Uma análise mais aprofundada sugeriu que as mudanças nas oscilações beta ocorreram principalmente nos hemisférios direitos do cérebro dos voluntários e ao longo de redes neurais conectando os lobos frontal e parietal que são conhecidos por ajudar a controlar o planejamento dos movimentos. Essas mudanças só aconteceram durante os intervalos e foram os únicos padrões de ondas cerebrais que se correlacionaram com o desempenho.

“Nossos resultados sugerem que pode ser importante otimizar o tempo e a configuração dos intervalos de descanso ao implementar tratamentos de reabilitação em pacientes com AVC ou ao aprender a tocar piano em voluntários normais”, disse o Dr. Cohen.

Algumas considerações:

As pesquisas, apesar de recentes e em curso, apresentam que se fizermos pausas frequentes e eficientes temos maior poder de consolidação do conhecimento de coisas novas que aprendemos, quando comparado a horas e mais horas de estudos sem pausas.

De acordo com que percebo durante minha prática profissional, a cada 45 minutos é importante fazer uma pausa de, no mínimo, 10 minutos. E, no meio do dia ou no início da tarde é essencial um cochilo que complete 1 ciclo de sono, ou seja , cerca de 40 minutos.

Uma boa noite de sono também é extremamente importante, mas ela deve ser acompanhada, para que o aprendizado seja mais rápido e efetivo, de pausas durante o dia.

Como fazer com que essas pausas sejam eficientes: indico que você procure um local escuro, silencioso, ou com musica relaxante de fundo, sem distrações para os cochilos. Meditar também funciona muito bem.

Quer sabe mais sobre o sono reparador? veja esse outro post. 7 Dicas para um sono mais tranquilo e apenas uma pitada de pseudociência

E um bom descanso para tod@s!

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